Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

Academia do Sul

 

Jorge Araújo

 

Depois da fusão das duas maiores universidades de Lisboa, assiste-se agora à criação da UNorte em resultado de um consórcio entre as três universidades públicas do norte, as universidades do Porto, do Minho e de Trás-os-Montes-e-Alto-Douro. Estará para breve, supõe-se, a criação de semelhante consórcio entre as universidades do Centro do País (Aveiro, Coimbra e Beira Interior).

A Universidade Nova de Lisboa, não tendo sido convidada a integrar a nova Universidade de Lisboa, optou por uma via inteligente que consiste em instalar um novo campus numa das zonas mais populosas da periferia da Capital, em parceria com Câmara Municipal de Cascais, a qual ofereceu o terreno, e com o apoio financeiro de diversas empresas. Nascerá assim em 2016, a School of Business & Economics (SBE) numa área de 10 hectares, junto ao Forte de São Julião da Barra.

Assiste-se pois, no seio da rede de ensino superior público, a movimentos de aglutinação e diversificação que tendem a responder a dois imperativos estratégicos: aquisição de dimensão competitiva e internacionalização.

A dimensão é importante porque permite melhorar a qualidade da oferta formativa, racionalizar a gestão dos recursos baixando, nomeadamente, os custos de formação por aluno, e alcançar patamares superiores no ranking da produção científica. Através da internacionalização, estas super-universidades conseguem, nomeadamente, cativar públicos estrangeiros de modo a superar a eventual perda de “clientes” nacionais. A aposta na captação de novos alunos passa pelo mercado africano, nomeadamente Angola; mas também África do Sul, América Latina e Canadá onde o principal alvo são os portugueses de segunda geração que vivem nesses países. Mas a internacionalização visa também a captação de fundos comunitários, designadamente do programa Horizonte 2020, cujo acesso é reservado para quem demonstre relevância científica.

Nada disto é verdadeiramente inovador relativamente ao que se conhece de países europeus. Não existem modelos únicos. Cada realidade, com os seus matizes regionais, económicos, sociais, etc. gera - ou não - as suas soluções; reage - ou não - às circunstâncias; em última instância, prepara-se - ou não - para sobreviver. Porque é disso que se trata!

Não existem modelos únicos, repito: as universidades de Lisboa, a “Clássica” e a Técnica, optaram pela fusão; as universidades do norte preferiram o modelo de consórcio; a Universidade Nova optou pela via da expansão conseguindo drenar 50 milhões de euros de instituições privadas e apoio camarário. O que podemos constatar é que grande parte do País reage à crise, mostra vitalidade e engenho.

E no Sul?

No Sul, tanto quanto me é dado saber, existe uma única proposta, por sinal, da minha autoria, e de longa data: a criação de uma grande academia – a Academia do Alentejo ou, mais ambiciosamente, a Academia do Sul – que dê corpo ao conjunto de pequenas instituições: as universidades e os institutos superiores politécnicos da Região ou das Regiões. Preconiza-se a constituição de um consórcio em modelo de confederação que, garantindo a individualidade de cada instituição, propicie a gestão conjunta dos recursos, a racionalização e a qualificação da oferta formativa, a consolidação da capacidade científica em torno de alguns domínios do saber e do saber fazer, a mobilização conjunta das capacidades com vista ao desenvolvimento regional, bem como a internacionalização quer no que concerne à formação das equipas científicas e ao acesso aos fundos comunitários, quer através da captação de alunos visando não só o espaço da lusofonia mas também do Magrebe e dos países onde a aprendizagem do português se intensifica, como a China.

O modelo é diferente dos outros porque agrega universidades e institutos superiores politécnicos. Mas, na verdade, repare-se, também as universidades são diferentes das outras porque são duais, isto é, elas próprias encerram em si os dois tipos de ensino superior, o universitário e o politécnico.

A união faz a força, diz o povo! Na verdade, afigura-se-me ser a única via para a sobrevivência face aos grandes polos aglutinadores, de ensino superior e de investigação científica e tecnológica, que se constituem a norte do Tejo.

Espero que as nossas instituições sejam capazes de romper com concepções paroquiais que ainda subsistem e com rivalidades de fundamento obscuro que lhes retiram operacionalidade; que sejam capazes de unir esforços a bem das suas próprias instituições, da Região e do País.

Publicado por lapenseenedoit às 04:03

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