Segunda-feira, 30 de Setembro de 2013

Uma morte anunciada

Jorge Araújo

 

O PS perdeu a Câmara de Évora, e não só. Em Évora era previsível desde há algum tempo. Dizia António Costa que a vitória se constrói nos quatro anos anteriores. É verdade…e aqui pouco foi feito nesse sentido que tenha sido ressentido pela população como um trabalho consequente: atolada em dívidas, a Câmara transmitia uma imagem paralisada, agarrando-se à perspectiva de empregos que a Embraer anuncia, como uma bóia de salvação.

 

Perante uma vereação que tinha vindo a manifestar desgaste constante, perdendo votos e agilidade em cada mandato de quatro anos, teria sido necessário …de duas uma: ou que o adversário insistisse num candidato indigente ou que o PS fosse capaz de dar um golpe de rins e apresentar-se novo em folha com um programa e um candidato credível.

 

Nem uma coisa, nem outra aconteceram.

 

O candidato adversário acaba um mandato de 12 anos numa câmara vizinha, prestigiado pelo seu bom senso e simpatia pessoal, pela sua probidade inquestionável e carreando a satisfação dos seus munícipes. A principal instituição pública da Região, a Universidade, reconhece nele um dos seus e deposita alguma esperança de melhoria das relações UÉ/CME. A Universidade representa uma fatia significativa do eleitorado.

 

O PS entreteve-se em dúvidas e atolou-se em birras intestinas quase até à véspera da campanha, hesitando na escolha do candidato, procurando-o dentro do círculo estreito controlado pelo aparelho. Em Évora não haveria algum socialista com prestígio, visão e espessura cultural para encabeçar o processo? Certamente que sim…mas o aparelho não o detectou…ou não quis arriscar numa solução eventualmente heterodoxa.

 

Neste contexto, o Programa – inquestionavelmente bem gizado por um professor da Universidade – não apareceu senão nas vésperas. Que se saiba, não foi aprovado por nenhum dos órgãos concelhios ou distritais. Mas sobretudo, não nasceu na cabeça do candidato a presidente. E, em boa verdade, também não foi divulgado: os munícipes não o conheceram.

 

Nestas circunstâncias teria sido útil para Évora que o Eng.º Manuel Melgão ganhasse? Depende da capacidade que o Dr. Carlos Pinto de Sá demonstrar no estabelecimento de relações de confiança com o mundo empresarial no qual se podem depositar esperanças de desenvolvimento e de criação de emprego, no distanciamento relativamente a uma trupe que controla o Teatro Garcia de Resende e se julga única detentora da cultura, na aliança com a Universidade para a edificação de uma verdadeira cidade universitária, aliciante para o turismo e para os jovens de todos os azimutes, e ainda na minimização do controlo legalista dos serviços camarários, da vida das populações.

 

Estará o nosso partido bolchevique nessa disposição? Eis a questão!

Publicado por lapenseenedoit às 10:47

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