Segunda-feira, 23 de Setembro de 2013

Castigar...quem?

Jorge Araújo

 

 

Estas eleições autárquicas decorrem num ambiente de desânimo. Muitos eleitores querem utilizar as primeiras eleições sob protectorado estrangeiro para castigar os partidos políticos; ou porque não souberam acautelar o tsunami da crise, ou porque se mostram incapazes de encontrar soluções compatíveis com a salvaguarda do “estado-social”, ou ainda porque concebem propostas completamente irresponsáveis e desajustadas do contexto europeu em que nos inserimos. As pessoas estão cansadas de promessas eleitoralistas incumpridas, de mentiras, de narrativas herméticas e incompreensíveis, de insensibilidade social, de soluções irrealistas.

Eu sei, por mim falo…há muita gente a querer castigar os partidos. Embora saibamos que são instituições

essenciais à nossa democracia, não levamos à paciência que se comportem como se fossem donos de todo o espaço democrático. É neste contexto que proliferam os candidatos independentes e se corre o risco de dilatar a abstenção ou o voto nulo ou mesmo, o inútil.

Mas serão os partidos castigados? Não, não serão: ganharão aqui, perderão ali, mas sempre por percentagens que escamoteiam a margem de desiludidos.

Quem será verdadeiramente castigado, em Évora?

A resposta é clara e indubitável: a população. Por uma razão simples: o que está fundamentalmente em causa é o emprego. Do emprego decorre o bem-estar social, a vida cultural, a economia local incluindo nomeadamente a preservação do Centro Histórico. 

O emprego não resultará, como antigamente, da contratação, por parte da Câmara Municipal, de hordas de pessoal pouco qualificado (para as limpezas das ruas, como pretendem alguns) mas da fixação de empresas nos Parques Industriais e Empresariais e da dinamização da agricultura. Esse fluxo, que tem vindo a acentuar-se nos últimos anos com o alargamento do perímetro do Parque Industrial e a abertura de outros espaços afins nas freguesias rurais, só foi possível porque a Câmara estabeleceu uma relação inteligente, ideologicamente descomprometida, com as empresas, proporcionando-lhes condições vantajosas, nomeadamente se fixarem a sede em Évora.

As cerca de 200 empresas instaladas no Parque Industrial de Évora e nas zonas empresariais adjacentes são responsáveis por mais de 3000 postos de trabalho. O cluster aeronáutico, com Embraer à cabeça, acrescentará, até 2015, cerca de 1500 postos de trabalho. Paralelamente, assiste-se à emergência dos clusters energético, da saúde e do turismo, que proporcionarão emprego qualificado, bem-estar social e atracção turística.

No passado, ficou a deve-se ao PS a viabilização do Alqueva, que abriu perspectivas inovadoras para a agricultura, a criação das novas acessibilidades (A6, variante da IP2 – congelada pelo governo actual – renovação do caminho-de-ferro) bem como do Parque de Ciência e Tecnologia (em parceria com a Universidade de Évora) e de infrastruturas informáticas que colocam Évora na rota do investimento. Amanhã, Évora poderá beneficiar de todos esses progressos para minorar os efeitos da crise e contribuir para um Portugal melhor.

Por isso vos digo que hoje, verdadeiramente o que importa é o voto útil na única força política capaz de gerar emprego, e que se revela detentora de um pensamento estratégico para a industrialização do Concelho, sem reservas ideológicas relativamente à iniciativa privada e aos empresários: o PS.

 

Publicado por lapenseenedoit às 09:12

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