Quarta-feira, 4 de Julho de 2012

Um ano para mais do mesmo

 

 

Jorge Araújo

 

Em entrevista ao Jornal Económico, António José Seguro revela que a alternativa à receita do Governo, que propõe, é pedir mais um ano à Troika para o cumprimento das metas acordadas em matéria de consolidação das contas públicas.

 

Não meu caro António José Seguro!

 

Enquanto o PS não apresentar outras propostas concretas que consubstanciem uma narrativa de oposição credível, não conseguirá afirmar-se como alternativa política à actual maioria. Aliás, só isso justifica que, perante o descontentamento generalizado da população, as sondagens continuem a dar ao PS uma subida tímida que ainda não destronou a posição cimeira da coligação no poder.

 

Propor o adiamento por mais um ano, se não forem alteradas as políticas, será um ano para mais do mesmo, um ano perdido para a recuperação do país, um ano em que se cavará ainda mais o fosso entre o litoral e o interior, se efectivarão novos atentados contra o que resta do Estado Social e se continuará a alienar o património nacional.

 

Se não vejamos: na ausência de uma política que aposte no desenvolvimento da economia, e não sendo plausível que se venham a aplicar novas medidas de austeridade que se traduzam na diminuição do rendimento das famílias (até porque o CDS já ameaçou que, se assim fosse, poderia estar comprometida a estabilidade da coligação) só resta ao governo o caminho do corte das despesas. Onde? Naturalmente na educação, na saúde, na justiça, na solidariedade social, na segurança, na gestão autárquica.

 

Todo esse receituário não deu resultados em 2011 pois a meta do défice só foi alcançada artificialmente através da injecção dos fundos de pensões. Em 2012, ao fim do primeiro trimestre, anuncia-se um desvio colossal de 7,9% que, eventualmente poderá vir a ser mitigado pela poupança dos dois subsídios, mas que não deixará de ser afectado pela quebra do rendimento fiscal e pelo aumento das despesas com a segurança social. Parece que ainda há por aí uns fundos de pensões disponíveis…

 

Os ideólogos da maioria esgotaram as ideias. Só lhes ocorre a diminuição de salários (António Borges) e o aumento de impostos (Miguel Cadilhe). Se a estas propostas se juntar a sugestão de suspensão da democracia (Manuela Ferreira Leite) temos uma política de chinesização perfeita.

 

Perante isto, o que propõe o PS? Em concreto, nada! Umas vagas aritméticas para, em vez de dois subsídios, ser cortado apenas um deles em 2012. Uma vaga adenda ao tratado da Senhora Merkel, para o crescimento; algumas denúncias inflamadas das diversas relvices e outros despudores ostentados pela maioria. Alguém se recorda de alguma proposta concreta, credível, de política alternativa?

 

Se o PS estivesse no poder, como procederia no quadro dos compromissos negociados por José Sócrates? É isso que o povo quer saber para acreditar que existe outro caminho, comentando com os seus botões a velha máxima popular "para melhor, está bem, está bem; para pior, já basta assim".

 

Na perspectiva de eleições em 2015, ainda vamos a tempo. Mas será preciso esperar tanto, com tantos sacrifícios para o povo, tanta delapidação do património nacional, tão profundo retrocesso civilizacional?

Publicado por lapenseenedoit às 12:30

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