Domingo, 25 de Dezembro de 2011

A História repete-se...nada é verdadeiramente novo?

Jorge Araújo

 

Mark Twain dizia que não, que “a história não se repete, mas por vezes rima”.

Se ele soubesse alguma coisa sobre proteínas, concordaria provavelmente comigo: a história é como estrutura das proteínas, tem percursos espiralados, outros lineares e outros ainda em cotovelo. Quando a espiral dá uma volta parece que as coisas se repetem, mas elas estão na verdade num plano diferente embora rimem em diversos aspectos.

As finanças estarem mal, em Portugal, não é um fenómeno novo. Começou logo com D. Afonso Henriques que nunca pagou as quatro onças de ouro, anuais, prometidas ao Papa Inocêncio II a troco da protecção pontifícia, na Conferência de Zamora (1143). Sucederam-se vários descalabros financeiros ao longo dos séculos de história apesar do comércio de especiarias e do ouro do Brasil.

 

Escassos anos depois da revolução republicana, as finanças estavam exauridas. Terá sido esse o móbil do golpe de estado de 1926 que nos proporcionou um governo forte com um excelente ministro das finanças. Homem sério (raramente se ria e, em todo o caso, jamais em público), de falas lentas e competência insuspeita, ou não fosse lente de Coimbra.

 

De evolução sabia o que Bíblia nos ensina e de desenvolvimento não tinha grandes ideias; nem era preciso, pois a tarefa era acertar as contas.

 

Sob a sua batuta, pois como era tão bom foi promovido a presidente do Conselho de Ministros uns anos depois, as contas acertaram-se, o ouro acumulou-se nas caves do Banco de Portugal mas os portugueses mantiveram-se sóbrios nos seus hábitos (nunca gastaram acima das suas possibilidades) até porque, como se sabe, a riqueza e a cultura não são condições inequívocas para se alcançar a felicidade. E depois há aquela estória do buraco da agulha e do camelo, que nos ensinaram de pequeninos e que nos inculca o ideal de sermos pobrezinhos e de espírito pouco ambicioso. A concordância generalizada com o grande líder dispensou a existência de sindicatos e os partidos deixaram de ser necessários. As escolas ensinavam a cartilha, que reunia um conjunto de conhecimentos inquestionáveis e essenciais para se ser feliz e docilmente produtivo.

 

Quando o grande líder assomava à varanda (o que era raro!), multidões agitavam bandeirinhas e entoavam com fervor patriótico e ênfase belicista, o hino nacional. As tropas desfilavam exibindo o poderio militar do Estado Novo. Os meninos e as meninas das escolas vinham fardadinhos, em passo certo, com grandes estandartes. Os mais velhos, da Legião, também fardados, compunham o cenário.

 

Os portugueses viviam pobres mas contentes. É claro, havia alguns que não gostavam. Paciência, a esses aplicava-se a receita do grande líder, davam-se-lhes umas "“palmadas"”.

 

Hoje, com algum recuo e vendo como o Partido Comunista venera o regime ditatorial da Coreia do Norte, chora a morte do seu grande líder Kim Jong-il e, simultaneamente, recusa uma homenagem a um homem como Vaclav Havel que lutou pela liberdade do seu povo, sofreu a tortura e penou cinco anos na prisão, pergunto-me porque se terá o PCP portado de modo tão intolerante com o Dr. Salazar?

 

Escassos anos depois da revolução democrática, as finanças estão exauridas. Foi esse o móbil para o golpe de estado constitucional de 2011 que nos proporciona um governo forte com um excelente ministro das finanças. Homem sério (raramente se ri e, em todo o caso, jamais em público), de falas lentas e competência insuspeita. Não é lente de Coimbra...…e aqui se vê como a história não se repete exactamente.

 

Mas lá que Salazar e Gaspar rimam, é verdade!

 

Mantenhamo-nos atentos!

 

 

Publicado por lapenseenedoit às 19:47

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2 comentários:
De Anónimo a 29 de Dezembro de 2011 às 13:47
Realmente a historia nao se repete, não houve um golpe de estado em 2011 houve eleições livres num estado democrático! Ignorar esta \"ligeira\" diferença é não reconhecer o direito de um povo a decidir a sua história, mesmo se errar é o povo que tem que o reconhecer quando voltar a ser chamado para tal! Faz toda a diferença!
De João Ponte e Sousa a 30 de Dezembro de 2011 às 17:13
Está muito bem, mas lá que ele ri, ri!

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